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FAMILIA: um berço de esperança

Deixa-me contar uma história.

Vocês conhecem aquelas casas de madeira, de tábuas largas, com fendas e frestas pelas quais costumam cair, debaixo do assoalho um espelhinho, um pente, uma moeda, um botão, mil coisas assim, que ficam lá embaixo, na escuridão.

Os meninos antigamente gostavam de deitar-se no chão e ficar olhando pelas frestas o velho porão escuro. Quando um raio de sol penetra lá embaixo, brilham coisas esquecidas e perdidas, pequenas ninharias que se acumulam anos a fio. Mas se um dia caísse uma jóia, então dava-se a descida ao mundo maravilhoso do "debaixo do assoalho".

Os meninos entravam e era uma festa para os olhos e para o coração: centenas de coisinhas perdidas e reencontradas:

- Aquela aliança.

- Aquela foto dos nossos pais quando casaram.

- Oh! Aquele terço!

Eram mil surpresas escondidas, acumuladas, perdidas anos a fio e que a casualidade de uma jóia caída fizera redescobrir.

Pois bem amigos, nesse mês comemoramos o dia da família (15 de maio) e trago essa narrativa (baseada na de J. Lima) para dizer que a vida de família é como o fundo do assoalho, com mil pequenas alegrias e carinhos, com mil momentos de ternura, que vão caindo pelas frestas do tempo e do dia, e se vão esquecendo no fundo da vida diante dos problemas.

A gente costuma perder esta beleza toda pelo cansaço, pelo hábito, onde as pequenas atenções, pela falta de dizer um bom dia, ou boa noite, onde o carinho pelos pais, pelos irmãos, pelos filhos, tornam-se alianças caídas nas frestas da vida...

Mas um dia como esse pode ser uma ocasião de choque, de lembranças mais vivas do que foram as coisas.

Talvez seja o dia de deixar um raio de sol entrar e tirar as tábuas do assoalho, do redescobrir com alegria as pequenas coisas indispensáveis para o tempo de amor, da vida em família... O dia onde somos convidados a refletir a importância da mesma tanto na sociedade/comunidade quanto nas nossas vidas.

Ou talvez ainda, seja o dia de recolher as alianças, as fotos e o terço, e ver que tudo tem um sentido em nossa caminhada. De que o outro existe e que é humano como você, de que um carinho não faz mal a ninguém, ao contrário, só faz bem.

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